Manaus enfrenta seca severa com Rio Negro em nível alarmante

William Duarte/Rede Amazônica
Estado de emergência foi declarado devido à seca que afeta 364 mil pessoas
A capital amazonense, Manaus, está diante de uma crise hídrica sem precedentes, com o nível do Rio Negro atingindo 16,97 metros, um número alarmante que fica a menos de um metro do limite seguro para banhistas. Já se vão mais de 364 mil cidadãos sendo impactados por essa grave estiagem, evidenciando a urgência de ações efetivas para mitigar esse cenário devastador.
A medição realizada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) nesta quinta-feira, 12 de setembro, revelou que o Rio Negro se encontra em uma situação crítica, próximo do limite considerado seguro para a prática de atividades de lazer, estipulado em 16 metros. Esse dado não apenas reflete a realidade hídrica de Manaus, mas também evidencia como a seca tem alterado drasticamente o cotidiano da população e o ambiente ao redor.
Nas últimas 24 horas, o nível do rio caiu 24 centímetros e, desde o início do mês, já houve uma redução total de 2,81 metros. Comparado ao mesmo período do ano anterior, quando as águas alcançaram 21,19 metros, a disparidade é alarmante e retrata a severidade da seca que o estado do Amazonas está enfrentando.
O registro mais baixo do Rio Negro em Manaus, de 13,59 metros, ocorreu em 16 de outubro de 2023, tornando essa realidade ainda mais preocupante. A iminência de interdição de balneários, como a Praia da Ponta Negra, está se aproximando, trazendo preocupação para vários setores que dependem do turismo e da utilização das águas do rio para lazer.
Em virtude da situação crítica, o prefeito David Almeida assinou um decreto de emergência, válido por 180 dias, com o intuito de implementar medidas para atender as comunidades ribeirinhas que estão sendo afetadas. A inclusão de Manaus na lista de cidades que receberão recursos do Governo Federal é um passo importante, mas a urgência de ações diretas e eficazes para garantir a segurança e a sobrevivência dos afetados é fundamental.
A seca não é apenas um problema momentâneo; é uma construção social e ambiental que expõe a fragilidade das comunidades locais e ressalta a necessidade de uma atuação governamental mais focada em soluções sustentáveis e em longo prazo. Durante a recente visita do presidente Lula ao Amazonas, foram anunciados projetos de dragagem nos rios, mas é essencial que essas iniciativas caminhem lado a lado com medidas para proteger os direitos das populações ribeirinhas.
O Rio Negro, uma das joias naturais do Brasil e um suporte vital para a vida local, atualmente reflete a luta por dignidade e sobrevivência enfrentada por milhares de pessoas. O momento é de conscientização e ação, pois o problema da seca no Amazonas não é isolado, mas parte de uma crise ambiental mais ampla que demanda nossa atenção e responsabilidade coletiva.



